quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Urucungo e o Corpo



A pesquisa Urucungo esta sendo realizado no projeto REGISTRO GERAL. e a busca por um momento performático no corpo conta com a presença da mascára africana, como um ponto de ligação entre a África e o corpo negro brasileiro/alagoano e com uma mascára de tortura que liga o corpo negro brasileiro a mudança de sentido da permanencia da máscara.
Meu corpo esta em fase de esperimento, tenho posto não muitas informações, mas sim ações corporais, durante o processo me perdi do meu corpo e tive que regressar, fui por parte como sugeriu Charlene, e agora estou tentendo entender-me comigo mesmo, minha máscara e as mascrasa de mim.
Durante a apresentação no dia 28 de jeneiro de 2010, para um grupo seleto muitas foram os questionamentos e entre as criticas e os elogios eu fico com os elogios para saber que estou num caminho e as criticas para continuar minha busca.
Nesse mesmo dia fiquei sabendo o nome da máscara de tortura, Folha de flandres, e encontrei na net falando o seguite;
Folha-de-Flandres é o nome de uma máscara utilizada durante o período da escravidão do Brasil, período manchado pela coerção exercida sobre seres humanos provenientes do continente africano que eram transformados em mercadorias e obrigados a trabalhar para a manutenção da própria vida.O escritor Machado de Assis, em seu conto “Pai contra Mãe”, relata que:


"a máscara fazia perder o vício da embriaguez aos escravos, por lhes tapar a boca. Tinha só três buracos, dois para ver, um para respirar, e era fechada atrás da cabeça por um cadeado. Como o vício de beber, perdiam a tentação de furtar, porque geralmente era dos vinténs do senhor que eles tiravam com que matar a sede, e aí ficavam dois pecados extintos, e a sobriedade e a honestidade certas. Era grotesca tal máscara, mas a ordem social e humana nem sempre se alcança sem o grotesco e alguma vez o cruel".







Urucungo é Poema










Geraldo A. Castro












Faz parte dos poemas considerado "negros", em que o poeta lança seu olhar rumo às questões relacionadas ao Brasil, sua formação e seu sincretismo racial. O espaço é dedicado à reflexão acerca da condição dos negros no país. Os poemas de Urucungo abarcam desde o início da escravização, a viagem nos navios negreiros, o trabalho nas fazendas e a migração em tempos de libertação para a margem das cidades, para os morros que se delinearam favelas. As histórias e as descrições que compõem esses poemas são em grande parte perpassados pela memória dos narradores que retornam pela contação ao passado anterior e atual à escravidão, sendo esse o toque original que o poeta dá a esse itinerário da condição negra. Raul Bopp explora as “solidões da memória/ coisas que ficaram no outro lado do mar”(BOPP, 1998.p.198), e assim como na memória os tempos e espaços se confundem, nos poemas os tempos da África vem visitar as fazendas e cidades, as lembranças marcam de forma mais aguda a dor pelas violências sofridas e a nostalgia percorre toda a narração, todo poema.

"Pai-João, de tarde, no mocambo, fuma
E as sombras afundam-se no seu olhar.
Preto velho afoga no cachimbo as lembranças dos anos de trabalho
que lhe gastaram os músculos.

Perto dali, no largo pátio da fazenda,
umbigando e corpeando em redor da fogueira,
começa a dança nostálgica dos negros,
num soturno bate-bate de atabaque de batuque.

Erguem-se das solidões da memória
coisas que ficaram no outro lado do mar.

Preto velho nunca mais teve alegria.

Às vezes pega no urucungo
e põe no longo tom das cordas vozes que ele escutou nas florestas africanas.

Dói-lhe ainda no sangue as bofetadas de nhô-branco.
O feitor dava-lhe às vezes uma ração de sol para secar as feridas.

Perto dali, enchendo a tarde lúgubre e selvagem,
a toada dos negros continua:

Mamá Cumandá
Eh Bumba.

Acubabá Cuebé

Eh Bumba.


"Obra esta que só foi publicada pela insistência dos amigos Jorge Amado e Echenique. Bopp a eles enviou os poemas-negros juntamente com uma carta na qual fica expressa a decepção do poeta acerca da recepção de suas obras.

__FONTE: http://www.blogtribuna.com.br/ ;www.onda.eti.br/revistaintercambio/conteudo/arquivos/1641.pdfhttp://www.abralic.org.br/cong2008/AnaisOnline/simposios/pdf/042/VIVIANE_OLIVEIRA.pdf