sexta-feira, 29 de março de 2013

MIRAGENS EM CORPOS URBANOS


Foto: Jorge Schutze

Sob minha ótica, sob meu olhar que assim como no movimento pode haver desvios, assim como o corpo pode conter movimentos não correlacionado é que começo este texto com uma reflexão sobre o que vemos e o que parece que vemos.
Durante o processo de pesquisa dançar esta sendo a maior preocupação, movimentar-se, deixar o corpo conduzir a ação, deixar a dança-capoeira entrar nos poros e criar uma movimentação tem sido um processo interessante da pesquisa no sentido que dançar dentro da linguagem da capoeira e ao mesmo tempo saindo das regras da linguagem tem me dado material importante para futuros trabalhos com dança.
A Capoeira traz um manancial de possibilidades de ações corporais a exemplo da “Ginga” que da base as ações no jogo na capoeira, como também a “Chamada” que é um fragmento do jogo da capoeira angola onde aparentemente serve para descansar, quando trago para a dança as possibilidades da utilização dela são imensas, pensando no jogo corpo a corpo o momento que nós estamos fazendo o “Jogo de Dentro” outro momento que investigamos o quanto na dança da material para pesquisa.
Outro elemento que é intrínseco a capoeira é a musica que dá ritmo ao corpo que dança ou joga, neste sentido estamos explorando a musicalidade nas ações realizadas na rua, e tem sido o momento em que o Urucungo está presente ritualizando o momento.
Estamos no meio da pesquisa, estamos dançando em espaços abertos e trazendo a improvisação para as ações, porém já experimentadas e o projeto nesses 4 meses já realizou algumas performances.
No projeto Urucungo em Cenas Urbanas, deixei aberto a possibilidade de convidar outros corpos para compor, assim como convidei Jorge Luis Schutze para registrar o projeto durante 8 meses, resolvi que o projeto poderá convidar para algumas performances especificas a assim poder redirecionar custos. Tendo em vista as desistências de alguns participantes.
Infelizmente no percurso alguns tiveram que sair do projeto, Keka Rabelo, João Evangelista e Ana Carla Moraes, com isso eu tive que convidar 2 bailarinos que pudesse ajudar nas pesquisas para esses últimos 4 meses, então convidei para dançar no projeto Joelma Ferreira e José Edson e apesar da mudança, tem sido interessante no sentido de que proponho pesquisar e realizar performances com o que assimilamos nas aulas. Tem sido desafiador.
Também, por necessidade do projeto convidei Jorge Schutze, para registrar as ações do projeto: aulas, performances e tem sido rica suas contribuições que vai além do registro fotográfico e de vídeo Maker.
Foi Através de Jorge Schutze que fomos convidados a participar de um dos mais interessantes festivais em paisagens urbanas que acontece na cidade de São Paulo, fomos convidados a demonstrar nosso projeto no 8º Edição do Festival Visões Urbanas, que aconteceu na Cidade de São Paulo, sobre o festival acessar: http://www.visoesurbanas.com.br/. http://urucungo.blogspot.com.br/
Antes de ir ao festival fizemos um experimento em Maceió, mesmo com a saída de um dos dançarinos, ainda assim, percebi a força e a positividade da pesquisa e vejo fluindo com bastante maturidade cada acontecimento e tenho visto isso nas execuções dos experimentos, por exemplo o que realizamos no dia 20 de Março de 2013, onde propus ao grupo compor na linha do Trem, no centro da Cidade de Maceió.
Foto: Jorge Schutze

Dançar sob linhas foi importante. Tentar movimentar-se com tantas dificuldades foi interessante, pois foi na dificuldade que surgiram composições, num ritual entre carros, transeuntes, corpos, capoeira e musicalidade, que naquele momento se configurou a ação do projeto em si, a ação de dançar em espaços urbanos sob o foco da movimentação da capoeira.
Foto: Jorge Schutze

Voltando a falar de nossa participação no Festival Visões Urbanas, primeiro quero falar que sair com o projeto e poder observar outras possibilidades de dançar em espaços urbanos muito enriqueceu nossos olhares sobre composições em dança contemporânea num nível internacional.
Foto: Jorge Schutze

Foi instigante algumas questões, uma delas a de ter um público olhando a aplaudindo a cada performance apresentada, nada comum ao que nosso projeto sugeri, pois é a composição e não os aplausos que fez com que eu pensasse na proposta do projeto, isso me fez ter medo, fez meu corpo pedir um pouco mais de dança, um pouco mais de responsabilidade.
Foto: Jorge Schutze
Então, no dia 22 de Março de 2013, durante o festival o grupo decidiu ir a uma Praça em São Paulo para dançar, improvisar e conversar através do movimento e foi importante para nossa apresentação no dia seguinte. Na praça algo de apropriar-se do corpo e compor em cenas, entre cachorros, crianças, adultos e idosos, me fez pensar que estamos no processo de maturação, no processo de comunicação corporal se fortalecendo, se configurando no próprio ato de improvisar, no próprio ato de dançar.
Foto: Jorge Schutze

No dia 23, pela manhã tudo pronto, todos prontos, foi assim que fomos à praça, com nosso projeto, com nossa cara, com nosso corpo-capoeira-dança, com nossa simplicidade, com um Urucungo na mão fomos dançar, num ritual entre pedras e arvores, entre pessoas e bichos, entre voz e movimento, entre círculos e improvisos, foi assim que realizamos o experimentamos aquilo que poderia chamar de Ritual Urucungo, pois não era apenas a capoeira, não era apenas a dança, nem tampouco o festival, o que instigava o grupo, mas sim as pessoas, com seus olhares, suas participação tímida, cantando baixinho, fazendo a chamada, montando nas costas, e compondo com o grupo, um Ritual em Cenas Urbanas, proporcionado pelo festival em paisagens urbanas.
Foto: Jorge Schutze

Estamos no meio do processo de pesquisa do projeto, e alguns posso afirmar que nestes 4 meses passados, tivemos algumas perdas e ganhos, arrisco a dizer que o projeto Urucungo em Cenas Urbanas tem proporcionado comunicação com o corpo, com a capoeira, com a dança em perspectivas contemporânea.

Foto: Jorge Schutze

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

BANCO E MEMÓRIA VIRTUAL URUCUNGO


Dança-Videos
Estamos pesquisando e algumas reflexões corporais foram realizadas e registradas em dança-videos que têm sendo importantíssimo para o projeto como banco de memória virtual. Entramos no segundo mês do projeto com um olhar mais apurado sobre o corpo, um olhar sobre a possibilidade, um olhar sobre a estética da capoeira nesta dança em cenas urbanas.
Então, entre CISCOS e artes levamos nossos corpos para obra do artista plástico Pedro Lucena, no dia da ultima exposição CISCOS na Pinacoteca da Universidade Federal de Alagoas-UFAL e foi como entrar de corpo e imagens na obra, entrar com o corpo URUCUNGO, e movimentar-se dentro de ciscos e resquícios de um fim.


Entre FLORES e pedras, corpos e carros, assim foi nossa intervenção com ações iniciais, formas que principia a ação na rua, ação que evidenciou a falta de corporificarão ou petrificação corporal ou consistência corpo URUCUNGO.

Corpo NOTURNO entre vazias cenas urbanas foi assim que vimos ação corporal do bailarino Jailton Oliveira, uma ação fomentada pelo projeto e entendida como necessária para pesquisa por entender que há cenas urbanas que provavelmente mude de entendimento ao mudar de atitude, ao mudar de percepção, foi assim que se compôs, NOTURNO realizado na madrugada, no centro da cidade completamente silenciada e nem tanto deserta.

Em nossas avaliações, entendemos que precisaremos aprofundar sobre o corpo na capoeira, na musicalidade, nas simbologias que ela oferece e começamos pela construção do Berimbau ou do Urucungo a que da nome a pesquisa. A retirada da BIRIBA é o inicio da construção, momento de conhecer e reconhecer a mata, saber retirar a BIRIBA para fazer o Berimbau, elemento este primordial para estudos corporais.

Estamos no momento do projeto de varias idéias e isso me empolga, pois sinto que é neste momento que a pesquisa está tomando corpo e provavelmente tomará consistência em cenas urbanas.


domingo, 20 de janeiro de 2013

Projeto: URUCUNGO EM CENAS URBANAS - A Casa-Corpo.

Corpo em Construção





Hoje, 19 de Janeiro 2013, entramos pela porta da frente na casa de Yumi Tosaca, na casa construída com madeiras trabalhadas, tijolos e cimentos e que assim como todas as casas construídas pelos corpos de trabalhadores, pensada por engenheiros para corpos morar, casa esta que serviu hoje para pensarmos, para que serve nossa casa-corpo-urucungo.
Foto: Jorge Schutze
O Projeto Urucungo em Cenas Urbanas é um projeto pensado para dançar em espaços de bastante movimentação popular, porém assim como uma casa, o corpo tem que ser construído, neste caso construído para tentar responder a pesquisa.
Estamos construindo nosso corpo para compor e por enquanto não tenho a pretensão de ter uma resposta, pois estamos no inicio do projeto, porém arrisco dizer que dançar na casa a partir da improvisação e da movimentação da capoeira me deixou feliz a ponto de perceber que estou no caminho certo.
Foto: Jorge Schutze
Dançamos com o som que permeava a casa, e muitas improvisações foram realizadas com clareza das ações, me deixando satisfeito com o todo, pelo menos até então. Pude observar nos corpos dos dançarinos uma facilidade de entender cada momento, mesmo sem ter sugerido um roteiro, me pareceu que cada um já tinha um roteiro em mente, porém individualmente que ao começar se unificou quase como se fosse uma construção de uma casa.
Foto: Jorge Schutze
Pensando nos signos que possa ser emitido nas ações realizadas na casa, por enquanto o que posso atrever-se a falar e do meu corpo, de minha casa-corpo que neste atual momento esta em construção e em pesquisa.
Nossas dobradiças precisavam ser lubrificadas, nossas articulações precisavam movimentar-se, para que nosso fluxo de movimento pudesse revestir nosso corpo e assim nos propor movimento, nos propor vida, pois movimentar é viver e viver é dançar.
Este experimento foi inesquecível, e com certeza teremos outros momentos inesquecíveis que irá preencher o corpo-casa, pois podemos habitar neste corpo, pois não estamos fora dele, nós somos o corpo.
Foto: Jorge Schutze

Foto: Jorge Schutze

Foto: Jorge Schutze

Foto: Jorge Schutze

Foto: Jorge Schutze


quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Projeto: URUCUGO EM CENAS URBANAS

_________________________________________________________________________________

Fermentação




No dia 09 de Dezembro de 2012, nos encontramos para a primeira reunião com os principais atores do projeto Urucungo em Cenas Urbanas, estavam presentes: os Dançarinos, Denis Angola, Ana Carla Moraes, João Evangelista, Jailton Oliveira e a produtora, Keka Rabelo para discutir sobre as nuanças do projeto, com maior ênfase no objetivo das ações, mesmo sem esta constando no projeto optei por convidar Jorge Luiz Churtze, que agora ficara responsável pela capitação de imagens do processo através de foto e filmagens durante os 8 meses.Optei por apresentar o projeto a todos para que assim possamos nos apropriar da execução dele por completo, então assim como ficou exposto no detalhamento das ações que o gruo a partir de seus membros iriam definir as propostas e dias de ensaios, como também os municípios onde iríamos realizar nossas apresentações no fim do projeto.
 Ficaram definidos os dias de encontros: as Quartas-feiras, das 17:30h as 20:00h, as Sextas-Feiras das 17:30h as 20:00h e aos sábados das 08:00h as 11:00h, se durante o processo houver necessidade de mudança será realizada em reunião com todos.
Definimos duas das apresentações nos municípios de Alagoas: Maceió, Arapiraca e discutimos a possibilidade de haver uma apresentação em na cidade de Recife.
Keka Rabelo expôs a grandeza do projeto e propôs ampliar as apresentações de cinco (05) municípios para Dez (1), sendo que os outros seriam fora do Estado de Alagoas que será articulado pela produtora do projeto e sendo por custeio com parcerias. Todos concordando com a idéia aprovaram e demos continuidade com a reunião.
Ficou definido o primeiro texto a ser lido e discutido que é o artigo: reflexões sobre Laban nos contextos contemporâneos, de Jorge Schurtze, que visa refletir sobre as idéias e práticas de Rudolf Laban em contextos contemporâneos.




_________________________________________________________________________________

Geração

Foto: Jorge Schurtze
Ao começarmos os encontros do projeto Urucungo em Cenas Urbanas, o grupo achou necessário que todas as segundas-feiras pela manhã fosse oferecido a Oficina de Capoeira e processo Criativo, aulas que já havia começado e que passou a fazer parte do cronograma do projeto.
Nosso primeiro encontro foi na casa de um dos participantes, onde o exercício era improvisar, na sala e improvisar dentro da estética da capoeira, no jogo de dentro. Após a dinâmica realizada, passamos a elaborar os encontros como exercícios para uma ação na rua, onde a maior parte dos encontros será na rua, dançado, pensado e executado na rua.
Foto: Jorge Schurtze

Passamos a entender que no projeto os encontros para dançar deveria esta ligado diretamente a proposta central do projeto que são as Cenas Urbanas, neste sentido quase todos os momentos, eu diria 90% dele seria essencialmente nos espaços Urbanos, pensando nisso realizamos nossa improvisação na praia, onde todo exercício era de compor um movimento a partir dos elementos encontrados na praia, areia, água, vento.
Neste momento do projeto estamos pesquisando as possibilidade de ação do projeto na ação de dançar no espaço casa que não deixa de ser um espaço urbano, a pesquisa vem sugerindo ações, como por exemplo a que iremos realizar dia 19 de Janeiro de 2013, que é improvisar na casa, otimizando além da improvisação também as ações corporais da linguagem da  capoeira, para um espaço de dentro e de fora da casa.
A casa que provavelmente é o lugar de acolhimento para muitos, para a pesquisa passa a ser o espaço de questionar-se sobre qual é o lugar da dança, qual é o lugar do corpo, qual cena podemos construir em nossa casa-corpo. Nas reflexões do grupo o alicerce desta casa-corpo tem aparecido como um fixar, um criar identidade, um espaço onde possa existir ou coexistir no mundo da dança, então provavelmente estamos construindo nossa casa, para poder morar, ou talvez já construímos e só falta morar.




_________________________________________________________________________________








Este projeto foi contemplado pelo Prêmio Funarte Petrobras de Dança Klauss Vianna/2012. www.funarte.gov.br/